Recapitulando: Nas duas últimas postagens falamos um pouco sobre as ideias gerais que envolvem a Dieta Dukan, sobre a bioquímica básica de carboidratos e proteínas, da ingestão de lipídios e absorção de vitaminas lipossolúveis, além de uma discussão sobre a "demonização da gordura" e a busca pela "silhueta perfeita".A partir de agora, o enfoque das postagens vai ser em detalhar um pouco mais sobre cada fase da Dieta Dukan.
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A primeira fase da dieta, também conhecida como fase de ataque, é uma das mais "radicais", pois recomenda a ingestão de grandes quantidades de proteínas, e tenta reduzir ao máximo a ingestão de outros nutrientes, como os lipídios e carboidratos. Tais proteínas são encontradas principalmente em carnes, peixes e aves, e são considerados alimentos que podem ser consumidos à vontade. Tal etapa da dieta é uma forma de preparar o organismo para a segunda fase, ou fase de transição, ou ainda fase de cruzeiro, tópico esse a ser discutido na postagem da próxima semana. Apesar da fase de ataque ser uma fase rápida, ela também é perigosa, pois qualquer transgressão pode diminuir seu efeito na perda de peso. Pode durar, dependendo de pessoa para pessoa, entre 2 a 10 dias.
Alimentos Permitidos para a Fase Ataque
- Boi: com exceção do entrecosto e da costela (partes que contém uma quantidade maior de gordura, logo devem ser evitadas de acordo com a lógica da dieta);
- Vitela grelhada;
- Aves sem pele: com exceção de aves como pato e ganso (a pele de frango é a principal fonte de gordura no animal, dentre as partes comumente comestíveis);
- Carnes magras: acém, músculo, carne moída com até 10% de gordura, alcatra, etc. Nas carnes, toda gordura visível deve ser eliminada (segue aqui o princípio básico da dieta, o de eliminar quase completamente a ingestão de gorduras);
- Vísceras: fígado e rim – consumir, no máximo, uma vez por semana já que é rico em colesterol (observa-se mais um esforço para a retirada de lipídeos da dieta);
- Peixes: todos sem exceção;
- Frutos do mar: todos, mariscos e crustáceos;
- Presunto magro: frios de baixo teor de gordura e sem pele - entre 2 e 3% de gordura;
- Proteínas vegetais: tofu - 8% de gordura no máximo;
- Líquidos: água, chá, café, refrigerantes de até 1 caloria por lata - não mais que 3 latas por dia. É recomendado consumir, no mínimo, 1,5 litros de água por dia;
- Frutoses são proibidas! (lembrar que carboidratos, assim como os lipídeos, são evitados "a qualquer custo");
- Acessórios: vinagre, especiarias, ervas, cebola (apenas como tempero), alho, conservas (apenas como condimento), limão (não como uma bebida), sal e mostarda (uso moderado, devido à retenção de água);
- É recomendado mastigar chicletes e balas sem açúcar - no máximo, 5 por dia (isso daria uma sensação de saciedade mais prolongada);
- Proteína Isolada de Soja e Fibra de Soja;
- Gelatina Zero – ½ Pacote por dia;
- Suco em pó light.
Alimentos Permitidos com Limitação
- Laticínios (até 1 kg por dia): devem ser magros, ricos em proteína e desprovidos de gordura. A exemplo, leite desnatado, queijo cottage de baixo teor de gordura, queijo fresco, cream cheese, iogurte 0% de sabor natural e requeijão de até 4.5% de gordura. Laticínios com percentual de gordura superior a 7% são considerados tolerados (porção de 30 gramas) (Esse alimento é permitido com limitação por conter uma quantidade considerável de carboidratos e uma leve porção de gordura);
- Ovos: até 2 unidades diárias;
- Farelo de aveia: na primeira fase, a quantidade permitida é de 1 colher e meia de sopa por dia. De preferência, consumir pela manhã;
- Farelo/Fibra de trigo: é recomendado o consumo de 1 colher de sopa por dia para pessoas com prisão de ventre. Seu consumo não é obrigatório;
- Farinha de glúten: máximo 100 g por dia.
Pessoas com colesterol alto não devem consumir mais do que 4 ovos por semana, ou então, devem retirar a gema e consumir apenas a clara (A clara do ovo é onde há maior concentração de proteínas).
Falando um pouco de bioquímica: Metabolização de proteínas
Em postagens anteriores falamos que os aminoácidos possuem um grupamento amino (--NH3+ quando a molécula está em solução) em sua composição básica. Esse grupo amino é o que mantém a salvo o aminoácido da degradação oxidativa. Logo, para que se produza energia a partir de qualquer aminoácido, é necessária a retirada desse grupo. Já removido, esse nitrogênio pode ser incorporado a outro composto químico ou excretado.
Catabolismo dos aminoácidos
· Transaminação (caixa vermelha): transferência do grupo α-amino do aminoácido para o α-cetoglutarato. Isso produz α-cetoácido e glutamato. O α-cetoácido corresponde ao esqueleto de carbono sem o grupamento amino e o glutamato é a união do α-cetoglutarato com o grupo α-amino. Todo esse processo de transferência é realizado pela aminotransferase (transaminase) e é conhecido como transaminação.
Ø Especificidade das aminotransferases: as duas reações mais importantes de aminotransferases são catalisadas pela alanina-aminotransferase (ALT) e pela aspartato-aminotransferase (AST). A ALT catalisa a transferência do grupo amino da alanina para o α-cetoglutarato, resultando na formação de piruvato e glutamato. A AST transfere grupos amino do glutamato para o oxalacetato, formando aspartato e α-cetoglutarato.
Ø Coenzima: toda aminotransferase necessita da coenzima piridoxal-fosfato (derivada da vitamina B6) para funcionar corretamente.
Ø Equilibrio das reações de transaminação:
-- Após o consumo de uma refeição rica em proteínas (alta de aminoácidos) = degradação de aminoácidos pela retirado do grupo α-amino. (É nesse fator que se baseia um dos fatores chave da Dieta Dukan)
-- Suprimento de aminoácidos não for adequado para satisfazer as necessidades de síntese das células (baixa de aminoácidos) = biossíntese pela adição de grupos amino a esqueletos carbonados de α-cetoácidos.
Ø Valor diagnóstico das aminotransferases plasmáticas: a presença de níveis plasmáticos elevados de aminotransferases indicam lesões em células que contém essas enzimas. (Esse é mais um problema envolvendo a Dieta Dukan, principalmente quanto à sobrecarga do fígado que, quando alta, causada por males como hepatite viral, lesão tóxica ou colapso circulatório prolongado, pode causar necrose celular)
Principais tecidos de transaminação: fígado, rins, músculo e intestino.
· Desaminação (caixa verde): em contraste com as reações de transaminação em que ocorre a transferência de um grupamento amino, na desaminação ocorre a liberação deste grupamento na forma livre podendo ser utilizado na produção de uréia.
Nesse caso o glutamato proveniente ou da síntese protéica intracelular ou da dieta sofre rápida desaminação oxidativa pela enzima glutamato-desidrogenase e libera α-cetoglutarato + amônia.
Ø Coenzimas: Pode utilizar tanto o NAD+ como o NADP+. O NAD+ é utilizado quando se faz necessário a desaminação oxidativa. E o NADP é utilizado na aminação redutora.
Ø Reguladores alostéricos: o GTP é inibidor e o ADP ativador da glutamato-desidrogenase. Dessa forma quando os níveis energéticos celulares estão baixos ocorre aumenta na atividade da glutamato-desidrogenase.
Principais tecidos onde ocorre desaminação: fígado e rins.
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Chega ao fim a terceira postagem do blog. Não deixe de conferir as próximas postagens, onde detalharemos um pouco mais sobre as outras três fases da Dieta Dukan, nunca esquecendo do enfoque bioquímico.
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Referências:
http://www.med1.com.br/artigos/metabolismo-das-proteinas
www.dietadukan.com.br
www.dietaereceitas.com.br
