A primeira postagem desse novo
blog contará um pouco sobre ideias gerais acerca da Dieta Dukan. Seria mais uma dieta da moda? Seus benefícios superam ou não compensam os malefícios? E a possibilidade de engordar no futuro? Posteriormente, cada detalhe será mais aprofundado, com destaque principalmente
nos aspectos bioquímicos. Boa Leitura!
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| Na imagem acima, a carne faz referência às proteínas, principal nutriente da dieta, sobretudo na primeira fase, ou fase de ataque. Posteriormente serão explicitadas mais informações |
Em 2012, um novo livro que logo se
tornou um dos maiores best-sellers dos últimos anos no Brasil, “Eu não consigo emagrecer”
do autor, e médico francês, dr. Pierre Dukan, deu às pessoas cujo maior drama de
suas vidas são os “quilinhos a mais” e a briga diária com a balança, esperanças com uma nova dieta que promete
emagrecer rápido e “acabar com o efeito ioiô”.
Além disso, frases como “comer sem restrição” também geram atrativos.
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| Livro "Eu não consigo emagrecer", do dr. Pierre Dukan |
Personalidades do mundo midiático, como Beyoncé, Jennifer Lopez e Kate Midleton
são adeptas dessa dieta e são tratadas como verdadeiros “exemplos a serem
seguidos” pelos aspirantes a possuidores de um peso ideal.
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| Beyoncé: Artista pop adepta à Dieta Dukan |
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| Kate Midleton: princesa inglesa que também seguiu a Dieta Dukan |
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| Jennifer Lopez: mais uma praticante |
Leia agora um trecho do primeiro capítulo do livro “Eu
não consigo emagrecer”, do dr. Pierre Dukan:
“1
Meu primeiro contato com a
obesidade ocorreu quando, ainda um jovem médico, eu praticava medicina geral em
um bairro de Montparnasse e ao mesmo tempo me especializava em Garches, em um
serviço de neurologia repleto de crianças paraplégicas.
Nessa época, eu tinha entre meus
pacientes um editor obeso, jovial, extremamente culto, que sofria de uma forte
asma, com a qual eu frequentemente o ajudava. Um dia, ele veio me ver e, depois
de ter se instalado confortavelmente em uma poltrona inglesa que rangia devido
a seu peso, me disse:
— Doutor, sempre estive satisfeito
com seus cuidados, confio em você e hoje vim vê-lo para que me faça emagrecer.
Naquele tempo, tudo o que eu sabia
sobre nutrição e obesidade era o que tinham me ensinado na faculdade, que se
resumia a propor dietas hipocalóricas — formas de refeições em miniatura
parecidas com refeições normais, mas em porções de Lilliput, que faziam os
obesos — habituados a viver intensamente — rir e sair correndo, desesperados
diante da ideia de ter de ficar controlando porções daquilo que os faz felizes.
Gaguejando, me recusei a ajudá-lo,
sob o pretexto justamente utilizado, de que não conhecia as sutilezas da
ciência em questão.
— De que ciência está falando? Fui
a todos os especialistas de Paris, todos os exploradores da área. Já perdi,
sozinho, mais de 300 quilos desde a adolescência, e ganhei tudo de volta. Devo
admitir que nunca tive uma motivação profunda e, involuntariamente, minha
mulher errou em continuar a me amar apesar dos meus quilos a mais. Mas hoje fico
ofegante só de
levantar os olhos, não encontro mais roupas que sirvam e, para você ter uma
ideia, estou começando a sentir medo de morrer.
E para concluir ele adicionou a
última frase, que, sozinha, desviou bruscamente o curso de minha vida
profissional:
— Faça-me seguir a dieta que
quiser, tire todos os alimentos que quiser, mas não a carne, gosto demais de
carne.
E, sem refletir, para responder a
sua espera, me lembro de ter respondido, sem hesitação:
— Ora! Já que você gosta tanto de
carne, venha amanhã cedo, para que eu possa pesá-lo em minha balança, e durante
cinco dias coma apenas carne. Mas evite as carnes gordas, porco, cordeiro e
pedaços gordurosos de carne de boi. Coma tudo grelhado, beba quanta água puder
e volte daqui a cinco dias, em jejum, para se pesar novamente em minha balança.
— Ok, desafio aceito.
Após cinco dias, ele voltou. Tinha
perdido quase cinco quilos. Eu não acreditava no que via, nem ele. Fiquei um
pouco preocupado, mas ele estava radiante, mais jovial que de costume, falando
do bem-estar encontrado, do ronco que desaparecera e, com isso, varrendo todas
as minhas hesitações:
— Vou continuar, estou me sentindo
no auge. Esta dieta funciona e estou comendo bem.
E lá se foi ele para um segundo
turno de cinco dias de carnes, com a promessa de realizar análises de sangue e
de urina.
Quando voltou, tinha perdido mais
dois quilos e, em júbilo, esfregou-me no rosto os resultados do exame de
sangue, que mostrava doses perfeitamente normais de açúcar, colesterol e ácido
úrico.
Nesse meio tempo, eu tinha ido à biblioteca
da faculdade de medicina, onde tive o cuidado de me aprofundar nas
características nutricionais das carnes, estendendo meu interesse pela grande
família das proteínas, na qual as carnes têm o maior prestígio.
Assim que ele voltou, cinco dias
depois, ainda em boa forma e tendo se livrado de mais um quilo e meio, pedi que
adicionasse peixes e frutos do mar, o que ele aceitou de bom grado, pois já
tinha comido todas as carnes possíveis.
Ao fim de vinte dias, o ponteiro
mostrou os primeiros dez quilos perdidos, e ele fez um segundo exame de sangue,
tão
tranquilizador quanto o primeiro. Numa aposta arriscada, adicionei as últimas
proteínas
que restavam, lançando uma mistura de laticínios, aves e ovos, e, para acalmar
minhas preocupações, pedi que intensificasse a quantidade de água e passasse a beber três litros por dia.
Depois de algum tempo, ele acabou
aceitando adicionar legumes, pois eu começava a temer a ausência tão prolongada
de outros alimentos.
Ele voltou, cinco dias mais tarde,
sem ter perdido um grama sequer.
Havia encontrado argumentos para
exigir o retorno à sua dieta favorita e a todas as categorias de proteínas
pelas quais tinha tomado gosto, apreciando o fato de não haver limitações em
seu consumo. Permiti, sob a condição de que alternasse a dieta com períodos de
cinco dias de consumo de proteínas associadas a legumes, alertando para o risco
de carência de vitaminas, no qual ele não acreditava de forma alguma, mas que
aceitou graças a uma diminuição de velocidade de seu trânsito intestinal por
insuficiência de
fibras.”
Através da leitura do texto, é possível perceber a grande participação
de alimentos ricos em proteínas na dieta do paciente de Dr. Dukan. E essa é a
principal característica da dieta, principalmente da 1ª fase (ou fase de ataque).
É um momento que dura de um a cinco dias e o indivíduo alimenta-se
prioritariamente de carne magra, frango, peixe, porções moderadas de ovo,
queijo, iogurte 0% de gordura, leite desnatado e bastante água. É uma fase em que, de acordo com os estudos e
as experiências dos adeptos, é possível emagrecer em torno de dois quilos (mas
é um valor que depende muito do ritmo biológico e do estilo de vida de cada
um).
Falando um pouco de bioquímica: Proteínas e Aminoácidos
As proteínas são macromoléculas bastante importantes na constituição do corpo humano, pois desempenham várias funções. As funções são classificadas em estruturais e dinâmicas. As funções estruturais envolvem a sustentação estrutural das células e tecidos (como, por exemplo, colágeno e elastina). As dinâmicas abrangem transporte (hemoglobina, proteína responsável pelo transporte de gás oxigênio para todo o corpo), defesa (imunoglobulinas), catálise (enzimas que são responsáveis pela aceleração das reações químicas), controle do metabolismo (hormônios, como por exemplo a insulina) e contração (fibras de actina e miosina nos músculos).
As proteínas, por serem macromoléculas, podem ser divididas em unidades menores chamadas de aminoácidos. Aminoácidos são moléculas que possuem, na mesma estrutura, um grupamento carboxila (-COOH) e um grupamento amino (-NH2).
Os aminoácidos de função biológica, ou seja, aqueles que vão melhor desempenhar as necessidades do corpo humano são em número de 20 e são chamados de a aminoácidos, pois os dois grupamentos estão ambos ligados no carbono determinado carbono a.
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| O conjunto de 20 aminoácidos "padrão", ou de função biológica importante no corpo humano. Esse conjunto de aminoácidos é o que vão constituir as proteínas em geral |
Após a fase de ataque, são introduzidos na dieta verduras e legumes
(exceto batata, pelo alto índice de carboidratos, verdadeiras abominações na
dieta) e inicia-se a fase de transição. O ritmo de emagrecimento é menor, mas é
possível atingir o “peso ideal” nesse ritmo, dizem os adeptos.
Falando um pouco de Bioquímica: Glicose
A glicose é uma molécula orgânica cuja fórmula é C6H12O6 e é, quantitativamente, o principal substrato oxidável para a maioria dos organismos (a principal forma de obtenção de energia). Sua utilização como fonte energética pode ser considerada universal, uma vez que praticamente todas as formas de vida são capazes de metabolizar esse açúcar no intuito de produzir ATP (Trifosfato de Adenosina --> molécula energética).
A glicose é indispensável para algumas células do corpo, como as hemácias (células presentes no sangue) e as células do tecido nervoso, pois essas células usam a glicose como única forma de produção de energia. Esse é o primeiro problema na Dieta Dukan, pois como é reduzida drasticamente a ingestão de carboidratos, a quantidade de glicose do corpo fica desfalcada e o corpo humano pode sofrer problemas como tremedeira, suor frio, irritação, tontura, etc.
A terceira fase, ou fase de consolidação, libera frutas e porções
controladas de pães e massas integrais. Carboidratos refinados ainda permanecem
de fora.
A quarta e última fase, a fase de estabilização permanente, é a fase em
que se pode “comer sem restrições”. A condição é que , uma vez na semana,
deve-se repetir o cardápio da 1ª fase (isso deve ser um hábito para o resto da
vida), com uma ingestão, predominantemente, de alimentos ricos em proteínas.
Mais informações sobre a Dieta Dukan serão fornecidas no decorrer das postagens.
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Essa dieta possui vários momentos diferentes, com algumas restrições e outras recomendações. Sem dúvida, uma das principais
restrições, sobretudo da primeira fase, é a ingestão de alimentos ricos em
carboidratos. Os carboidratos (como dito anteriormente) são a
primeira forma que o corpo encontra de obter energia, e retirá-las por completo
ou em parte da dieta habitual pode parecer estranho e interpretado como uma
“radicalização”, além de por à prova o conceito de "comer sem restrição".
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